Netuno

Ondas violentas se agitando

Netuno
Com suas redes de águas e espumas
Lança amiúde, em sua muita astúcia,
A ânsia sobre a coisa seca

Busca afoito suas conchas brancas
Com estrias terracota e cinza
Onde mares íntimos e inaugurais
Reverberam segredos azuis

Ali nos muros de calcário
Meu corpo se acanha tímido e pardo
Por todas as crenças que o arrendaram
Capilares se espraiando afora
Perfurando os sedimentos curvos

Estou dentro de uma dessas conchas
E tenho medo de toda minha vida
Ser um sonho, uma fé pronta, um absurdo bonito
Eterno ponto de partida

E que Netuno seja, por seu turno,
A nitidez mais pura em seu rugido

Que bate
Rebate
E arranha a areia nos fins de tarde
Engolindo seus pequenos mundos
Em goles de espelhos curvos.

06/06/2017

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