Fragmento do Sermão da montanha

Jesus discursando no Sermão da Montanha

Há uma sombra por detrás das copas
Os cem medos arpejam os fios
As nervuras que se arranjam em cada folha
Os raios trepidando, espontâneos
Os desenhos dos alvéolos pulmonares

Falta o ar tão volumoso em meu entorno
Um par de olhos me paralisa, grave
A gravidade legisla e logo julga
O réu indefeso e sem culpa

O silêncio é carcomido em desespero
E não há mais sossego no espírito
Somente a mudez lhe qualifica

O vulto se avoluma, asfixia
O sono não descansa e não mais sonha
Só resta esse galho para a ave
São ossos estalando – sabre

As asas cansam do seu ritmo puro
As cãibras acossam a verdade – é duro

A gravidade é rito, não se evita
E a balança tem um torque que avilta.

 

13/12/2016

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