Abraço

Pisando em folhas secas

Tudo que me deixei
Aquele que lateja longínquo
Iníquo por se reiterar sem se repetir

A cúpula se entreabre
O telescópio emerge caolho
Os fótons copulam com a retina elétrica

Estrelas agonizam em rodopios ágeis
Outras se degeneram em matéria fosca
Toda luz é anti-horária

Quem sabe da substância que me deu corpo?
Quem sabe o que me emula próximo de mim?
Todo o mundo é orbital distante
E sou membrana de mim mesmo

Ninguém ouve o movimento peristáltico
Forçando a digestão de folhas secas e esqueléticas
Pelo esôfago involuntário

Somente eu escuto alto e claramente
O som dos ossos de vidro num abraço crepitante
Outono mastigado por meus próprios pés.

16/08/2016

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