Ao natural

Janela e árore

Enquanto escrevo
O sol tem sua luz modulada por nuvens
Modelando o azul que as emoldura

As pupilas se avolumam, se apequenam
Aos revezes luminosos de outro dia, outro
Enquanto escrevo

A janela é um retângulo vazio
Com semicírculo em seu extremo, ao topo,
E vaza, por sua transparência aérea,
Aquilo que atomiza e concretua as coisas
(Mesmo quando fecho as vistas)

Existe uma árvore bruta e opaca
Se enrijecendo acima da grama esquálida e ressequida
Se enroscando em colunas imaginárias

Um vento involuntário dita a sequência caótica
Dos movimentos dos ramos principais
Secundários
Bifurcações múltiplas e estrábicas
Até as folhas suspensas e barulhentas,
Como páginas que passam rapidamente,
Laudas e laudas de vários livros

Formalmente
Tudo me é externo
Estranhamente externo
E livre

A solidão do esterno
(E triste)
É o efeito de me ver natureza.

02/06/2016

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