Frágil

Janelas abertas

Aquele momento
Como fio que se destece ponto o ponto
Quando o pano se desprega lentamente e a costura se abre
E cede à vista o ligamento das coisas aparentes que voam
Voam sem firmamento
Voam pela impressão permanente de fluir
Voam pela premente inércia do movimento ser eterno

É assim que decomponho calmamente
As formas que se ligam na moldura amadeirada

As folhas vibram no silêncio que entardece
As horas bailam e se enternecem sob o olhar de um anjo ancestral
Sua íris tem a cor de todas a vilas pequenas, do afago morno das noites de gelos,
Da eternidade mediada pelas coisas simples que brilham em sua própria regulação

Minha vida se destece pelo pavor de ser exílio
As janelas são altas; todas estão abertas; o vento circula; a paisagem conturba
São muitos andares entre o topo da flor e suas raízes famintas de pontos fixos

As roupas estão dispostas em seus elementos
Quem olha só vê tecido em formas aleatórias
Ou desenhos geométricos abstraídos

Só com o amor que se sabe paralítico,
Qual rosa breve, posta alheia à rama,
Se ama por tecer a imperfeição mais amável de pertencer.

06/05/2016

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