Percurso

Folha seca dobrada sobre si mesma

Paro e sigo a linha da folha seca
Singro calmamente a pele por seu traço abrupto
Ramos, vasos, variações de espessura e comprimento
Do ponto ao nó
Do nó a outra liga
O desenho ágil da linha trêmula
O lugar amarelo acastanhado de polígonos

Ali
Onde o silêncio frágil se equilibra tenso
Como verbo passado no vinco das papilas
Som fraturado de quando me descontrolo
E por um breve momento perco a doçura
De aparar o exoesqueleto de um lugar:
O pavor das mãos brutas e imensas
De quem insiste em viver

Há um medo dormente em suportar
Com mãos de cata-ventos um alento
A folha prestes a estalar em vidros
O perigo rente ao conter nas pupilas
A beleza imensa da tez geométrica
O talvez de uma flor abstrata
E pura

Eis aí a paga!
De preservar a coisa inerte e franzina
Em sua inscrição rara e castanha
Com sua prescrição de não-lugar

Esse tamanho preciso entre os meios
Os poucos segundos das franjas dos sonhos
Depois dos olhos se alargarem ao sol

07/05/2015

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