Lembrete

Homem pulando do alto de um prédio junto com aves

Não me permitam esquecer do azul plano do céu de verão
A paz o sossego o sussurro de se estar seguro no lugar certo
Ali ali bem perto da imensidade

Peço, segurem meu punho
Tirem-me a adaga reta da mão
A lua de prata, o espelho da loucura que se esquece do sol
E espalha a fuligem que encorpa a negrura

À noite vejo sóis pontilhados e vultos de árvores dançando
Na vigília as vistas se alargam ao que eriça
E me perco do azul plano e calmo e sereno
Sem fundo flutuando quarando ínterins
Que somente Deus consegue entrever

Às vezes a flor falha em ser lembrete
E minha mente gira num eixo
Que gira em torno de outro
Numa sequência de tornos
Chiando em atrito de seixos

E o efeito é o mesmo:
Estrangulo a flor
Que sangra entre os dedos com um riso instigante
Feito gelo pendurado balançando no rosto
E foto virada na estante

Alguém detenha o punho que empunha a lâmina perfeita
Brilhante disco lunar sobre as crinas do mar
Onde sereias afogam a realidade crua
Na imagem que se encrespa nua
Ondulando sonhos
Modulando sons

A pura inocência de supor álibis
Ao volátil desuso da razão.

24/09/2014

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