Poema da coisa concreta

Nascer do sol visto do espaço

Não num lampejo
Que fere a retina e arranha a vista crua com luz clara
Mas com delicadeza de quem se dá a conhecer aos goles
Sob um tipo de decência, decoro, um comedimento alegre
Assim se alumiou a coisa concreta

Foi desse jeito, numa entrenuance que não se percebe gradativa
Que só se permite ciência de dia luminoso já posto
Quando se aperta as vistas com força extrema, por longo tempo,
E se aparta de costas pro sol

Foi assim que toda natureza se apresentou com feições humanas
A história passou a ter braços, pernas, estômago e respiração ofegante
E senti a alegria do tempo volátil, o espanto de coisa retrátil
Um lamento de sermos degraus sob pés ambivalentes

Foi desse jeito que o mundo se humanizou tão claro
Que as coisas se fizeram mãos e pensamento
As máquinas passaram a me dirigir um olhar grave
Autômato e abortivo
Saturno invertido

Foi assim que se desenhou a sensação de que tudo o que existe é gente
Imprevisível em permutas, combinações e pensamentos projetados
Soma de vetores deliciosamente imprecisa em seus efeitos
Como a palavra dita se faz bendita por ser indomável
Cavalo selvagem que a intenção não consegue abrandar

Foi desse jeito que as formas, as coisas, as estruturas sólidas e as impegáveis
Se tornaram maneiras do homem se mostrar
Ora inteiriço
Ora como atestado de estranha cisão pressuposta

Como se tomassem o sol como círculo e não como esfera girante
Perfeita por sua esfericidade radiante e concreta.

17/12/2014

 

Aos professores do Mestrado em Educação da FFP-UERJ, ao professor Gaudêncio Frigotto, aos amigos de jornada nesse primeiro ano de mestrado.

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2 comentários sobre “Poema da coisa concreta

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