Lei zero

CAM02023 (2)

O sol morno amarela os olhos de remela
Buzinas desafinam no ritmo do coração afoito
A vida lateja como um músculo que se cansou
E a dor de existir é simplesmente sorrir

A beleza da vida é o abraço do meu filho
Sou gigante pela falsa natureza de ser maior
Tenho riso latente, sou batente dos rios
Com ternura de quem dorme sobre a fina navalha
Sem censura de cara marcada ou coroa carente

A certeza da vida é estar nos braços do meu filho
Ele, com olhos de mar inteiro, e os meus, de breve sertão
Eu, leve folha roxa que se curva sobre si mesma
Ele, me levando no colinho cuidadosamente
Evitando o som das nervuras quebradiças
Sob a esperança inútil de andar em silêncio no outono

Tenho fartura de vida e escassez de sossego
Ser pai é pensar em causas, efeitos e ciclos
Viver é sentir a textura das flores, o cheiro da maresia
O frio do mármore quando calor evade às mãos ainda cálidas

A lei zero da termodinâmica é o mantra do sistema e o equilíbrio térmico
O sintoma e o hematoma
Amar é não ter paz.

03/12/2014

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2 comentários sobre “Lei zero

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