Da coisa simples

Homem apoiado no tronco de árvore com nuvens ao fundo

Como tenho esquecido de me perder naquelas bobagens que só compõem o cenário!
Detalhes
Entalhados apenas
A não deixar a verdade menos inverossímil

Uma folha que teima flutuante aos galopes invisíveis
A estrutura curiosa no granito
O padrão geométrico dos anéis de uma árvore
O desenho inocente das nuvens pálidas

São essas minúcias que me fogem
Enquanto o mundo rodopia pela triangulação eletromagnética
E me furta o espanto alegre de uma tempestade
A voz misteriosa de Deus trincando a matéria
E o trajeto ordenado das formigas

Há tempos uma estrela me espera ansiosa e nua
Querendo tanto me ser querida
A constelação do cruzeiro se benze quando passo com cara de outdoor

Logo eu, que sempre amei a natureza e toda a concretude onde Deus se espraia
Logo eu, que sempre me quis homem de pilão de barro, sangue de mar, pele de praia, mãos de conchas

Ai, que falta me faz
Acreditar que as estrelas têm pontas!

23/10/2014

Após visitar a exposição “Perto do rio tenho sete anos”, no Centro Cultural do Banco do Brasil (RJ). Com fotografias de André Gardenberg e trechos dos poemas de Manoel de Barros.

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