Da tarde eterna

Fim de tarde

Levo como perene o encantamento da vida
Todo o brilho esparso, todo o espaço vazio entre as estrelas
A sensação de pertencer a um regaço pequeno e estar ausente em todo lugar
Sinto o estranhamento de quem se levanta cedo chorando
E sorri de repente sobre o espelho da rosa se abrindo

A tristeza, essa coisa lenta caminhando rente ao riso
Me achou dormindo num sonho verde azulado
E passei a amar o mar e os marinheiros
As sereias e os afogamentos
Os afetos e o corpo delito
Os acenos e os abraços do cais

O sentimento é o momento que grita por doer
Existir é um tipo de dor
A alegria dói, a rosa faz sofrer
Nossas mãos são nós de marinheiro na estranha ciranda de ser alguém

Viver é sentir
Sentir é uma febre lúcida no tempo curto e sem medo
Ou qualquer receio de bater palmas a algum evento
Se dobrar ante alguma invento
Venerar alguma ventura

E depois do breve instante descoberto
Volta-se a caminhar na aventura errante dos que acenam aos amados
Sob efeito eterno da trança dos corpos
A tristeza das traças nas fotos
O desespero do braço amputado.

12/09/2014

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2 comentários sobre “Da tarde eterna

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