Selfie

Auto retrato

Nunca fui quem sonhei
Nos quadros puros, verde-anis me quis
Risquei desenhos escuros com cacos de tijolo

Levo um eterno passado latente
No pulso das horas, nas ordens das vias
Sob a tutela do entre-querer

Me senti ave rara
Perseguindo cadência perfeita das asas, mas
Mas amo tanto o lugar dos dias siameses!

Folhear o livro
Colher a flor murcha
Repassar o coro
Rever o rosto antigo
Daqueles que me atravessam em lâminas azuis
E em caule de rosas púrpuras

Amo o que nunca fui
Amo o que sempre fui
Ai, meu amar é um tipo de me catar
Me querer é um cio de ser cotó!

Me perdoem os que me pensam melhor
Ou me desenham em planícies, em prados, em prumos
Em outeiros de Caeiro

[Sou inteiro, sim, da natureza e a amo
Como coisa tátil e concreta
E anfíbia em espírito]

Estou aqui com o que consegui amar
Com aquilo que consegui amado

Amuado, sim
Por ser talo da flor
Que ao som de asas se contorce de dor
E tolo

Por me desenhar longe das cavas.

 

19/08/2014

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