Contraponto

Mulher num cais em meio à neblina

Então, menina, por que insiste
Em molhar os olhos de marquise
Salvando a mazela que resiste
Ao sol iluminado por quimeras?

Quisera, menina, quem me dera
Ver o riso de estrela amarela
E seu lenço ao vento, como vela
Caçando serias e sereias

Eu bem sei porque tanto pranteia
Sobre algas plantadas na areia
Dois braços, uma dor que os medeia
Esse canto das coisas antigas

Uma flor que fora sua amiga
Se desfez no ar, uma cantiga
Se partir lhe vela uma ferida
O ficar lhe vale uma adaga

Não se junta com as mãos as suas águas
Não se veste a verdade com anáguas
Essa lua suspensa como prata
É a foice que sega de repente

É tão triste e um pouco contente
Seu olhar eterno de batentes
Vem o vento e se porta como pente
Confundindo os desejos de grafite

Seu olhar é fundo e sempre triste
A tristeza e o sonho – quase quites
Como um contraponto a seu favor:
Só os tristes compreendem uma flor.

14/08/2014

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