Gravura

Mão sobre pele descascando qual parede

Temo tanto aquela manhã quando
Abrindo os olhos empapuçados
Coçá-los, coçá-los
Caçar-te, caçar-te
Não mais lhe ver

Sei e sinto
O quanto o tempo caçoa de mim
Pobre galho fraturado que sou
À companhia do vento encapelado

Sempre estive só em alguma medida
Pessoas enganavam minha solidão
Enquanto eu tremia em frêmitos de acalantos
Receando o fim do ceceio

Já finquei meus dez dedos em carnes
Selei peles com minhas digitais
Mas os dígitos, seres intermitentes
A tudo enevoam e cerceiam
Bruma espessa que cedo se avoluma
Onda branda penteando meus desenhos na areia

Faço um pedido que não será atendido
Balanço um pendente de cruz e trevos
O desejo é fervura e aceno
A gravura se acomoda nos moldes

No final o que se tem e se pode
É somar todo amor com acento
Sussurrar a prece mais grata
Assentando a mais doce e rara lembrança
Onde a dor entreaberta descansa.

05/08/2014

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s