Febril

Gota sobre superfície

Há um tipo de tristeza atrás de cada flor
Uma insegurança entre iluminar e esconder
Sofro de uma teimosia inata de olhar por detrás das portas
Atrás da penteadeira há parede apenas
Uma imagem se pendura no varal e balança

Aprendi a medir o que se perde, o que se ganha
O quanto do amor é reter, conformar, me perder

Nada perco
Perco somente a maneira de ter e ser contido

Toda memória está na paisagem humana e natural
São evocações das coisas que não tenho
Lembrança daquelas que posso não ter
E das que não posso ter

Tenho uma lucidez branca e afiada
É nítida cada ondulação, cada movimento, cada suspiro
Cada cadinho de cadência

Sofro de um tipo de febre
Um mal estar de ser humano

Quarenta graus concretos

Sem delírio.

25/07/2014

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4 comentários sobre “Febril

    1. Ah. meu querido Vítor. Sobre o bendito livro: só Deus sabe! Já cheguei a reunir 100 poemas pra tentar publicar, mas tive uma rasteira da vida que bagunçou tudo o que tinha planejado. A ideia, por enquanto, não está numa pauta imediata. Mas tá no horizonte! Obrigado pela vista e pela leitura! Você é sempre bem-vindo por essas bandas.

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