Pio

Mãos unidas numa prece
Um passarinho fugiu da arapuca
Outra dúzia foi ferida pela fera fatal
O céu é abertamente azul aos olhos puros
Alguns não avançam além do feto

Toda vida é uma aresta
Pela fresta das nuvens vem um sol moribundo
Deus tem andado sisudo
Ouço a barba postiça roçando as nuvens
Ímpias, longínquas…

Qual Bombril areando superfícies foscas
Panelas vazias e ocas
Maxilares arqueados e famintos

Uma criança morreu inocente
Três pares de mãos cobrem as vistas, boca e ouvidos divinos
A flor rodopia num sentido
O mundo é belo por um fio

Tenho febre de Deus.

28/06/2014

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