Orgânico

Grama com céu azul ao fundo

O dia desce em seu exato termo

O sol trêmulo desliza calmo em caminho preciso
Enquanto as coisas se arranjam nas formas que lhes cabem
Ou se imantam a fim de ordem suspeita

O mato verde permanece ereto
Nenhum vento vela o espaço mudo
As lâminas de grama insistem em ser prumo
Compondo geometria perfeita em prontidão

Meu espírito pousa no corpo qual pássaro
Contemplando à distância o volume, a oferta
A infinita oferta de torná-lo ponto
Ponto leve
Ponto breve
Ponto reticente
Ponto flutuante

Estou no lugar puro e geométrico
A natureza é externa, o corpo é externo
E obedece à proporção adequada ao movimento
Ocupando espaços e vagando outros
Simultaneamente

Pertenço a esse lugar
Organicamente integrado às várzeas, aos ribeiros
Às árvores, aos vapores, aos rochedos
Às luzes do dia e da noite

Tudo se afunila numa paz de gelo

Como se eu perdesse o peso da humanidade.

22/05/2014

Voltando de trem de Santa Cruz, RJ, para São Gonçalo (cerca de 80 km). Trabalhar longe tem lá suas vantagens. Não dá pra negar as marcas de Alberto Caeiro!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s