O fim de algumas coisas

Homem perdido caminhando à beira-mar
Sofro de perdição crônica
Quando penso reter um fôlego ameno
Ou peso a alegria de um pequeno raio de lua
Me pendo a um medo atônito
De quem se mede pela parte vazia

A flor
Anacrônica flor
Que desde eras me tem sido face de nácar
Cara por ter néctar branco e dourado
Me fustiga um senso de raridade
Me instiga sequência de rarefações agudas
Expansões de matéria e espaço e formas e abraços e acenos
Se desfazendo em linhas pouquíssimo densas
Como incenso que só perfuma quando se transmuta em volume

Sei que toda dor serve pra amar
E que o parco fulgor dos sóis noturnos
Mais adornam que alumiam

Nunca fui sólido
Estar perdido é um gerundismo tacanho
Que calmamente me perpassa em silêncio castanho

Um cacoete
Uma gagueira
Que acompanha toda palavra sob a pele

Todo amor serve pra doer.

 

05/05/2014

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2 comentários sobre “O fim de algumas coisas

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