Flor erétil

Silhueta de flor em frente à cortina transparente

Por que toda flor que me vê pede pra morrer?
Preferível fosse um busto exótico e coalhado de pequenas bolsas d’água das manhãs
Uma exata lembrança a quem passa e lhe oferece a face
Memória das reticências e da premência de ser um espelho enluarado

Ah, seu olhar, ramo emplumado
Seu olhar ternamente triste
Como se estivesse ciente da paga de ser eternamente bela
Se empunhada com coração claro
Ou se em queda, apunhalando o frio corpo
De quem sela seus cílios no sono sem sonhos

Minha flor
Minha flor memorável à espera de uma mão qualquer que passa
Quanta dor cabe em sua ternura
Que perdura sem seu consentimento
Tortura de rir sem saber o momento da sega

Minha flor
Minha doce e amada flor entreaberta
Seja eu quem lhe cause a dor de amputar
E lhe ofertar reta e erétil a quem possa,
Com fé clara ou infértil,
Me preservar.

04/03/2014

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4 comentários sobre “Flor erétil

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