Lucidez

Paisagem duplicado por um espelho d'água
Desenho um silêncio bem intencionado
A bailarina rodopia com o globo na mão direita
Arremessa seu tronco pra trás,
Arqueando-o acentuadamente
E quebra o pescoço

(Como se morre por poesia)

À pele das águas de vidro
Anuncia-se a simbiose entre verdade e imagem

A verdade emerge
Submerge a imagem
Siamesas pelo ventre líquido

Um monumento se duplica
No equilíbrio tenso do momento
Ouço o rompimento elástico da tensão superficial da água
Que delicadamente se faz
Como numa ânsia em discernir detalhes e meandros do tempo
Da natureza das coisas, do meu vernáculo, da inocência do amor,
Da insistência do mar, da premência de ser vela a pino

(Na maior parte do tempo o pênis é flácido, um intestino)

A verdade dói no mundo das coisas e formas duras
Nuvens brancas e acolhedoras
Degeneram-se em desenhos sem sentido
As folhas das árvores caem para baixo

A imagem floreia o mundo dos movimentos perenes
Nele, duro o tempo em que prendo e perco o fôlego
As algas caem para cima, com efeito de parafusos eternos
Fixando sonhos no mar sem senhas ou segredos

Toda minha realidade é anfíbia
Até que me afogo
Se afundo e me afunilo
Num poema imperfeito

E infinito.

31/01/2014

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