A hora não-só

Mulher sorrindo com o cabelo sobre o  rosto

Vá por sua roupa mais bonita
Hoje vamos sair e nos olhar
Como se olha surpreso
Os becos secretos que desconheço, sem

Supor que as figuras todas
Se repetem num mosaico
Arcaico e vanguardista
Em seus olhos estranhos sem remetente
Como se houvesse na mente
Somente ida

Favor: vista a roupa mais bonita
Vamos sair e nos beijar
Gastronomicamente e
Descobrir outra vez
A consistência, a textura, um

Novo sabor de palato na carne crua
E na minha boca viva novamente sangue
De quando mordo meus lábios enquanto
Lhe beijo com desespero de quem morre à tarde
E lhe aperto contra meu peito estalando os ossos
Mastigando os seios como hiena que se debate
Sobre a carniça

Vá por sua roupa mais bonita e
Não faça do amor só um busto que grita
Escarlatemente
Na hora exata do não-só
À vista do espelho solitário

Não me lembre
Verazmente
Nessa aresta de quarto
Que o que preenche o volume largo
É vapor.

25/11/2013

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