Mapa celeste

Face sob sombras

Quando estou como aquela estrela de pontas imaginativas
Flutuada no aparente céu neutro de abismos, ao triz do infinito causticante

Prefiro não dar volta inteira em torno da minha face
Cumpro o ritual de deixar alguns espelhos com panos opacos e com peso de poeiras
Bem como algas esverdeando a fundura das águas como leves parafusos

Há mistérios que crepitam os espíritos maleáveis
E quando uma carta certa é escrita por múltiplas mãos maceradas
Serei eu o destinatário

Só e pálido
Cortina sobre crânio sem unívoco
Ao testemunho da parafina que perfila

A mim caberá ofertar a outra face ao espelho que avoluma as fendas
Do meu rosto poente com véu de nuvens corpulentas e imóveis

A estrela foi feita para sucumbir à noite com ventosas plásticas
Por ser a estrela somente ponto, sem desconto da essência soturna
Nem do substrato oculto em outro hemisfério que
Por temor da medusa
Não acesso

Há constelações que prefiro deixar a outrem nomear.

 

30/08/2013

 

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