A estrela

Homem sentado num banco, só e à noite, sob a luz de um poste

A tristeza é saia crespa
Leve e presa no arame farpado
Do fim da tarde

Mariposa
Represa
Esposa do muro de lodo
Desenho pregueado
Origami
Triste

Borboleta quarada e carbonada
Por mil sóis
Assustados
E nos olhos
Pólos
Entre lua nova e cheia

O tapete da porta
Pesa
Prende poeira de Deus nos queira e
Mal que nos quis

Moldes de pés
Ideias de anis
Pegadas antigas
No santuário das idas e idas exatas

Átrio tão triste
Com anjos provençais
Emudecidos
Umedecidos
Ais

Meio de madeira meio de brancura
Meio que o silêncio
Sagazmente
Perfura

Arte que desmonta
As premissas
Em partes
Ranhuras nos sentidos

Arte que desmente
A estrela de juras
De infinito

Astro
Que se cala
E se queda
E se cata ainda pouco fumegante
Na noite estanque

À relva crespa
Ao som da luz doutra lua cheia

E triste.

05/08/2013

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