Eu sei, meu simples amor, isso é uma flor

Girassol em escala de cinzas

Eu sei, meu simples amor
Isso é uma flor
Disco solar num domingo infante

Todas as flores pousam ante as vistas
Lindas lindas vibrantes
Distante íntimas intimidadoras de realidades
Girando na frequência das coisas sublimes

Todas se dispõem eretas sobre o talo verde fibroso
Longo longo esguio em alturas do que se supõe
Soberbas em sua luz de horas amputadas

Meu amor, meu amor de pés descalços e unhas encravadas
Toda flor gira em cataventos
E o sentido proposto pelos ares e o de serem vapores:
Invisíveis presentes resolutos
Ausentes robustos sem face substantiva

A verdade, meu amor torto
É que não se ama a flor que morre na tarde alquebrada
Infeliz como feto embotado preso ao umbigo

Mas àquela outra flor longa
Morta eterna sem prótese que
Calma se desidrata leve entre páginas poentes
Dos poemas que se insurgem à rigidez que comprime

Por essa flor, meu bem, por essa flor
Sonhamos por sombras que se quebram em descontinuidades
Desenhamos formas aéreas e fortuitas
A fim de que, em nossa demência feliz,
O relógio do porta-retratos que dorme
Tenha a cadência do pulso partido

Por nada se troca essa flor magmática magnética e frágil
Fóssil e marcador da página infinita que,
Ao ser lida, de súbito se desenha na mandíbula deslocada
O mais satisfeito sorriso de foice.

25/05/2013

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