À quase moda de Caeiro

934998_604462612898401_997136665_nDeito os sentidos
Me contento na contingência das interfaces

Só existo porque sinto
E se sinto satisfeito é por ser inocente
E preservar inocência
Ao não pensar e transformar matéria e sensações em moldura de ideias

Apenas permito às sinapses
Como já dito
Cumprirem sua sina de faces
E tristemente concluo não cumprir totalmente a promessa
De ser camada permeável das coisas
E hermética aos pensamentos

Se o sol é farol fosco
Se as nuvens são meio semi opaco
Se o lodo que contorna aquele lago verde turquesa me diz: sou plástico

Se as copas se arvoram cobrindo a linha horizontal
Dando volume e unidade aos contornos
Se me saltam às vistas a realidade siamesa tremendo sobre as águas
Não devo me desperdiçar em possíveis tramas
Ou tecidos que expliquem coisas ou sentidos
Barganhando adjetivos àquilo que existe indigente e se nomeou por acordos de gentes

Se tenho olhos
Vejo
Se tenho ouvido
Ouço
Se tenho pele
Roço e isso basta

O resto
É ofício de quem corrompe a realidade com paráfrases incompletas
E sinopses mancas que retomo sempre
Por ser presa de Deus.

25/04/2013

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