Labor

Rapaz deitado sobre grama

Sentir toda verdura da árvore esguia
A textura laminada da grama ondulante
Sob impulsos dos ares

A mim e qualquer outro cabe abrir as vistas,
Ampliar interfaces dos poros e despir vestimentas de pensar nas coisas
Como extensão nossa

A árvore verdeja
A grama é crespa
A flor é rósea

A natureza não se inclina à ânsia alheia
De humanizar

Assim, deite sobre a relva
Afaste as pálpebras
Sinta o aroma das manhãs possíveis
Tateie o orvalho das madrugadas
Ordenhe o mundo pelos sentidos

Afinal, logo seremos ornamento de estantes
Submissos às raízes das flores projetadas em nossos membros
Frios
E retos
No sono dos antigos

{Quem sabe esse adorno de flor não resulte em amores de outrem?
Ou em sentido que impregne as vistas alheias com fortuitas cores?}

É nosso o sincero labor de permitir as coisas serem em si

E sermos feliz enfim por sentir
Sem ressentir.

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