Pescador

Pescador lançando sua redeAnte os tons ensurdecidos
O céu é esquizofrênico e
Se desconcentra com o mar

Os azuis se encapelam
Ensandecidos
Numa multidão de solidões imprecisas e
Espontâneas
Sob o fio único de sanidade:
Sou pescador

Ao lado, pousa
Uma pedra cobreada
Partilhando suas faces com musgos esponjosos

Do outro, dança
Areia branca e mascava
Pela cova rasa das águas

Quanto a mim
Hasteio meu corpo ereto

Não tenho vela
Só rede antiga

Amiga velha e puída
Provedora do pão de dores

O mar se confunde com as águas
As águas boloram na pedra.

 
Inspirado na tela Pedra, de Verônica Accetta (2011).
Exposição: Conexão Niterói. Visita em 10/01/2013

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