O Filho do Homem

Jesus e Maria.Deus se pende do seu longo píncaro
Mira, longe, o pequeno feto.
Com afeto, vê seus pés de Ícaro
Sem suas asas; paga pelo prelo.

Sob a casa que a madeira encobre,
Olho pobre, inesperado nicho
Sem resquícios de traquejo nobre
Poucos homens, multidão de bicho.

Punge o peito do rebento régio
Fora ao ventre, dentro à noite fria.
Veio o fim do doce unguento térmico
Sucedido pela romaria.

Um silêncio frio, agudo e reto
Vaia ao fim das ruas de torturas.
E no meio um tracejo incerto
Que inclui solidão noturna.

“Ai, meu filho, ora não se assenta
Em justo assento, invisível séquito.
Mas se ajusta, longe da placenta,
Ao jejum de sopro pelo septo”.

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