Do que se retém

Senhor solitário parado numa esquina

{No fim de um dia como esse qualquer
Dentro dos ecos de ventania
A ventosa de quem fui
Se desligará da parede lisa da memória
De quem me poderia reter}

{E o mundo
Ah, grande majestoso mundo
Com suas paredes espessas e altas e largas
E seus quadros pendurados aos montes
Com conteúdos estanques, efêmeros de meio palmo de sobrevida
Santuário de torvelinhos e estalos de ossos}

{Esse mundo
Em sua roda intrínseca
Será companhia e complemento
De toda sorte de fissura ou lacuna dos que vierem
Num tempo distante e alheio onde
Não haverá sentido em perguntar de ascendências}

{E a ciência
A mais perfeita e sublime e recorrente e cíclica ciência
De ser-me
A quem vai servir?}

{E todo barro que me conheceu as mãos?
E minhas mãos tênues que tanto acenaram a nuvens
Luas, sóis em ladeira adiante? A quem vão servir?}

{Serei somente probabilidade de um genograma longínquo
E minhas células, pobres e inúmeras
Em nada serão assertivas nessa nuvem de vir a ser
Onde todos somos cegos e tristes e cientes de ausência nossa}

{Pois dói-nos a quebra em violência de esquinas
E os cones que emanam dos postes
Nos imantam
Ao se mostrarem fugazes e parciais no vértice escuro}

}No fim de um dia como esse qualquer
Dentro dos ecos de ventania, enquanto sou
Nada sei
Do meu avô{

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