Batismo

Estátua de anjo contemplativo

Anjos se contorcem sobre o solo;
As asas têm múltiplas fraturas.
Arcadas se envergam em torturas;
Seus dentes rangem por espólio

Perdido nas mãos de essências duras.
Assim, vazados são seus os olhos;
Sementes morrem, mas os molhos
Se esvaem em nuvens prematuras.

Virtudes vendidas nos empórios.
A alma se míngua à coisa crua.
Os anjos se perdem em faces nuas
Em íntimo interrogatório.

Suas roupas, sem frisos por tão puras,
Se rasgam, agindo os dedos próprios
Nas carnes. Então se vê o espólio:
Batismo de sangue na brancura.

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