Ampla defesa

Olhar

Ninguém me acuse por falta de devoção
Às sombras que rodeiam os arcos do dia
Às sobras de anjos nos torvelinhos
À pétala frisada em sequência de bem-me-quer

Nunca me faltaram olhos amplos a perseguir
Uma tarde que esconde seus segredos sob saia púrpura pregueada

Saibam
Sempre tive vistas sem vincos nas noites cálidas
À caça de bailarinas puras

Não me considerem omisso
No que concerne às nuances entre folha e galho que a sustém
Ou naquilo que torna tão triste
A mariposa sobre o tronco íntimo

Tudo isso me fez absorto
E meu espírito nunca se quis sábio demais por amar-se aprendiz
E por prezar pela ignorância e conhecimento de Deus

Jamais dei conta da pétala que me afunila
E do pássaro ainda morno
Que se desfigura morto
Aos meus pés.

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