O dia em que minha primeira tia morreu

Galhos secos
No dia em que minha primeira tia morreu
Desejei que minha mãe me pusesse sobre sua coxa
E me contasse de sua infância

E me dissesse das mesmas coisas tristes e alegres
Com voz mansa;
Substância do seu eterno gerúndio,
Essência de ser e passar;
Vento que foge pela fresta da porta
Sem completamente frustrá-la.

No dia em que minha primeira tia morreu
Morria também a irmã da minha mãe

E mirei, furtivo, meus irmãos
Com olhar amplo e côncavo como vagando as órbitas;
O carrossel lentamente
Se amortecia.

No dia em que minha primeira tia morreu
As folhas perdiam seu ritmo de coisa eterna e eu
Mordia as pelancas da minha mãezinha com unhas sem paz

E ouvi o gemido de galhos se quebrando
Aos poucos.

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