Poema puído

Cama vazia

A cama cresceu de repente
A colcha está lisa ao lado
Planície rente, sem
Sobressaltos

O espelho pousa
Em puído silêncio
Dialogo com
Mortos

A carne treme
A boca entorta
O pano é roto

Levo peso dos dias
Das folhas mortas
De galho torto
De aborto implícito

(Rodam os ponteiros
Sou eu que giro?)

A casa é muda
Objetos aumentam e se
Alimentam de poeiras
Centenárias

Deslizo o dedo
Percebo tempos
E tempos
Desenho saudades do
Desfeito do
Defeito do
Não feito

O sol refaz seu
Arco
Sombras se alternam longas
Curtas
Longas novamente até que
A noite cai e opto em
Não granular
O lago.

 

Inspirado no filme “Dama de ferro”

 

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