O fim do cruzeiro do sul

Céu azul com nuvez

O azul será
Maciço
O riso
Objeto eterno e
Sua imagem reversa
Reflexo nos olhos
Polidos
Daqueles que em parte são o que foram e
Jamais serão o que haviam
Sido

Estaremos em paz
Livres de desejar
O bem quisto

E do desejo
De ser livre

E do desejo
De apetecer

(Sem o pesar previsto
No morrer
Pra ser vivo)

Não seremos mais
Fragmentos nem
Firmamento
O todo será
Sentido:
Pétalas em aderência eterna
À haste verde do que nunca deveria ter
Ido

As memórias serão todas
Piso do passado
Flácido

A partir do qual velejamos sem porto
À parte daquilo que as bocas tortas
Famintas
Julgavam infinitas
Mostras

Não haverá mais grade
Dos alvos sem mira
Nem tardes gris

Nossas omoplatas serão amplas e
Anis
Seremos mar azul
E veleiro sem sul

Afinal
A graça do cruzeiro será sem
Norte.

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2 comentários sobre “O fim do cruzeiro do sul

  1. Pétalas em aderência eterna
    À haste verde do que nunca deveria ter
    Ido
    *** Sublime, caro poeta. Bjuss até…

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