Até que a morte os separe

Duas mãos unidas com alianças douradas

O interruptor sela o movimento ordenado de elétrons
A lâmpada do nosso cômodo se desfaz

Os fótons cessam de produzir imagens na retina
A parte posterior do globo

Meu sorriso ascende
E aceso desenha os lábios antes secos ocos
De taças ao meio e vidraças partidas

Sinto a pluma e me vejo neblinas
Fito a lua se desvencilhando das nuvens
E não consigo cerrar meus cílios
Abertos ao meio-dia

Ofereço como suporte meu peito frágil
Meu peito
Absurdamente seu

Sinto a foz e reconheço estarmos no vinco
À dobra feita de tempo e corredores de espelhos cobertos com
Rendas brancas, panos rotos, arabescos pratas

Nosso amor é imperfeito
Nada importa
Tudo basta

Somos livres como quem lava os pés um do outro
Se assim um de nós precisar

Nossas mãos são feitas de ouro fundido mas
Me sinto só

Experimento porções de infinito enquanto um de nós durar
Pois a carne é crua

E tudo que dura
Doura e fratura

Folha estalando dedos
Ao sol.

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