O mistério de uma carne

Somos dois numa carne
Todavia
Me sinto encarecidamente só

E na solidão tão bem-vinda
Há uma casa de espelhos em quinas
Com imagens invertidas e direitas

Um corredor de janelas diversas
Me indagando questões dissolvidas
Em areia e ondas nas pedras

Alguns lugares comuns, noites estreitas, desertas
Portas se debatem com violência
Nos umbrais de ferro

Levo dentro uns galhos tortos e árvores de milênios eternos
Cujas bocas lascadas de liquens
Me fazem perguntas retóricas

Nessa solidão tão líquida
Preservo estrelas e lagartas verdes

Sem a noção mínima de serem borboletas, flores, pétalas,
Primavera inteira ou comida de canário-da-terra

Quem sabe, meu bem, quem sabe
Não seja meu jeito de luz arredia e sombra imprecisa
Que nos fazem inteiras partes
E encaixes de porto e cais?

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2 comentários sobre “O mistério de uma carne

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