Um aceno

Homem olhando à margem do rio.As flores lhe acharam, meu amigo,
E o coroaram ao jardim de cercas de nuvens
No qual se adentra,

Se atesta sem ferida
Os queridos,

Se assenta
E se anseia dizer a outros:
Bem-vindo.

As flores o levaram
E o deixaram assim,
Inerte,
Granito;
E sua ausência parece
Faltar,

Como se estivesse
Atrás daquela árvore espessa
Com copa de nuvens pesadas;

Como se, sutil, pusesse
Uma fração de sua face à vista
E ainda fosse possível ver em parte
A sua barba densa, de prata
À espera do franzir de um sorriso.

Parece, meu amigo,
Apenas parece…
E bem sei que nenhuma prece
É suficientemente
Abrigo.

Nem a ciência de ser infinito
O marco do ferro que incandesce
E mantém acesa a lâmpada que tece
O risco de amar sem arma alguma,
À vista nua.

Nua.
Tão nua.
Tão filha

Da sua.

A Carlos Henrique.
Um quê de pai, um quê de amigo,
Ido em 10/03/2011

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