Conselho

Flor ferindo mão ensanguentada.Siga meu conselho: evite as flores.

Elas podem ser claras como sol de domingo,
Mas são vorazes anelídeos famintos e vulvas dos partos seguidos de eclâmpsia.

Não se perturbam à presença de tumbas e sua ânsia está
No olhar de eclipse, que perscruta nossas artérias e veias.

Fique atento às fronteiras das telhas, ao cutelo induzido além do telhado,
Arqueado à calçada, à cabeça dos passantes sem cautela.

Cuidado! Pétalas são fio duplo de espada,
Corvo pendente num balanço calmo em cima do muro.

Não mire jamais em seus olhos profundos, panos rotos cobertos de pólen,
Paga do breve piscar da medusa,
Que usa e abusa dos espantos em órbita
Concebendo estátuas, molduras estóicas.

Evite, evite e vomite as flores.

Antes que em seu ventre morno de várzeas,
Sem rédeas, as heras, por quimeras,
Vazem.

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