Veredicto

Menino de rua dormindo

A metade do menino que vejo por detrás dos umbrais de madeira
Tem fome de gente grande;
E quem duvida que seja
Da cidade inteira?

Os olhos do menino, desprovidos de firmeza,
Despencam, assim:
Caindo
Caindo
Caindo
No limbo do chão

O menino, pobre indivíduo,
Não tem nutrição para mirar a frente
Ou mudar sua fronte
Muito menos içar um horizonte
Que continua
Caindo
Caindo
Caindo
No lixo do chão.

Que opção tem o menino?

Pega, então, a pedra com o vigor que lhe resta
E lança no ônibus, no anônimo, nos vidros,
Nas ruas de agruras, na prefeitura…

Eles têm culpa? Alguém tem culpa?
Não tem o menino!

Então taca
Taca a pedra na igreja, no pastor, no arcebispo…

Taca mesmo

Pega a panela
Faz a baderna
Sem medo.

Quanto mais pedra tacar
Mais chance há de acerto.

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