Ainda

Godot espera sem fimAinda é a palavra que sucinta a vida.
Malditas letras.
Eu odeio ainda.

Ainda é prova e testemunha de parte
De ser metade
Menos que saciedade
Ai, que enfermidade me parte a carne… ainda.

Ainda dói, corrói
Ainda atesta à parte que resta
Castigar a parte que é mestra
Em ser resto.

Ai, até quando ainda vai ser minha vizinha.
Minha casa, minha esquina vazia.
Minha prima, ainda, ainda.

Queria falar de ainda até ela se esvaziar
Ou pagar uma viagem somente de ida
Para ainda ir a um país distante, gigante o suficiente
Para saciar sua sede de fazer
A coisa incessante.

Por mais que escreva
E desfaça a caneta em letras até secar
Ainda não vai embora, não mais
Ela veio, e grudou na minha alma
Alma gêmea não se desfaz.

Ainda, porque tenho que esperar
Sua boa vontade
Em arrumar as malas e partir?
Dívida de agiota
Que cobra triplica redobra
Juras sobre juros
Sobre a cota que eu não fiz!

Lhe juro, palavra torta
Enquanto houver ainda
Ainda a odiarei.
Ou você parte
E cessa o meu reparte

Ou parto eu.

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