O rio reto

As asas dos anjos dançam num movimento sem simetria
Sobre o terreno rochoso e terroso de segredo de ventania.

Os montes se deitam sobre o leito do rio fosco
Que nunca se perde em seu gosto de maresia e enseada.

Não há nada
Absolutamente nada
Que desvie o sussurro das águas em curso,
Em sua leve descida quase sem susto.

As árvores, a quem tanto irriga,
Com mãos de esqueleto, desprotegidas,
Quebram-se pelas palmas tortas.

Todo relevo, assim, se enamora
Pelas margens de vestidos brancos,
Como enlevo sobre suas orlas.

Em meio ao olhar de querer tanto
O rio de amianto,
Sem sinal ou resquício de espanto,

Segue reto em meio às pregas,
Segue em linha por suas dobras.

20/08/2010

Anúncios

Um comentário sobre “O rio reto

  1. Havia um rio
    na minha infância.

    Ainda há.

    Corre lento agora.
    Posso ouvi-lo cantar.

    Segredos
    que já não mais
    podemos decifrar.

    E quando eu já não for
    ele ainda será.

    Até
    que o sol esfrie

    ou arrebente.

    Lindíssimo teu poema, Sandro. E este desenho é mesmo impressionante. Abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s